No centro histórico de Laguna, encontra-se o Museu Anita Garibaldi. Antes de abrigar exposições, o prédio teve outra função: foi uma prisão. É justamente desse passado que nasce uma das lendas mais conhecidas da cidade, transmitida oralmente pelos mais antigos, marcada pela dor e pelo sofrimento de escravizados que ali teriam sido torturados e mortos. Dizem que, durante a noite, espíritos ainda rondam o local. No andar de baixo, onde as grades de ferro nas janelas ainda lembram o passado sombrio, era o espaço em que os escravos eram mantidos presos. A atmosfera é carregada, e muitos afirmam que, ao cair da noite, é possível ouvir gemidos, correntes se arrastando e até gritos abafados. Funcionários e visitantes relatam sentir calafrios repentinos, mal-estar sem explicação e até mesmo a visão de vultos nos corredores ou sombras que se movem quando não há ninguém por perto. O respeito e o receio marcam a relação da comunidade com o museu. Muitos moradores evitam passar diante dele à noite. Há quem jure que jamais subiria sozinho ao segundo andar ou desceria ao porão, onde a sensação de opressão é ainda mais forte. Hoje, o Museu Anita Garibaldi segue aberto ao público, celebrando a história da cidade e de Anita Garibaldi, mas a lenda continua viva. Entre as grades e janelas antigas, a arquitetura preservada reforça a atmosfera sombria.
TFERNANDES, André da Rosa; FERNANDES, Karla Pereira. Relato oral sobre a lenda do Museu-Prisão e os Espíritos de Escravos. Entrevista concedida a Henrique Ribeiro Fernandes. Laguna (SC), 25 set. 2025. Texto adaptado.