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a coisadefogo

O Ouro de Sangue da República Juliana

Durante a Revolução Farroupilha, Laguna viveu um episódio marcante de sua história: por alguns dias, tornou-se a capital da República Juliana. Nesse período de caos e incertezas, muitos soldados e moradores, temendo saques e violências, enterraram ouro, moedas e joias em diferentes pontos da cidade — no cais, em casas antigas e até em terrenos próximos ao centro histórico. Com o passar do tempo, surgiu a crença de que esses tesouros estavam “manchados de sangue”, pois teriam custado vidas em meio às batalhas. Conta-se que aqueles que mataram para proteger ou roubar tais riquezas tiveram suas almas presas aos tesouros. Assim, ninguém consegue encontrá-los facilmente, pois seriam guardados por espíritos atormentados. Há relatos de aparições, vozes que ecoam na madrugada, gritos, sons de cavalos e sussurros inexplicáveis. Em antigas residências, moradores afirmam ter ouvido trotes, batidas e passos, como se presenças invisíveis rondassem os cômodos. Em alguns pontos da cidade, sem saber, pode-se estar caminhando sobre um desses tesouros amaldiçoados. A crença é forte entre os mais antigos de Laguna. Muitos evitam mexer em determinados terrenos por medo de despertar os espíritos que zelam pelas riquezas escondidas. Alguns garantem já ter escutado vozes, cavalos e barulhos estranhos vindos de dentro de suas próprias casas. Ainda hoje, a lenda do ouro de sangue da República Juliana permanece viva. Transmitida de geração em geração, ela resiste como parte da memória e da identidade lagunense, misturando história, medo e mistério.

Referência: FERNANDES, André da Rosa. Relato oral sobre a lenda do Ouro de Sangue da República Juliana. Entrevista concedida a Henrique Ribeiro Fernandes. Laguna (SC), 25 set. 2025. Texto adaptado.